RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO

Afinal de contas, isopor é reciclável?

O isopor, ou poliestireno expandido (PES), é um material controverso e tido como antiecológico por muitos. Mas não há possibilidades de reutilizar ou reciclar o isopor? Leia e saiba mais.

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Um dos primeiros produtos plásticos a praticamente “sumir do mapa”, ao menos em termos de embalagens e usos em produtos finais, foi o isopor. O poliestireno expandido (EPS) – nome técnico do isopor – é uma das resinas termoplásticas menos biodegradáveis que existem.

Para quem já tem os seus trinta e poucos, talvez ainda permaneça na mente a lembrança das típicas caixinhas do McDonald’s nos anos 1980 e 1990. Já naquela época, em função de críticas no mundo inteiro, a lanchonete extinguiu essas caixas e as substituiu por papéis e acartonados.

Na cabeça de todos, por muito tempo, permaneceu a imagem de que o isopor é algo que simplesmente vai para o lixo após o uso. A verdade é que há possibilidades de se reciclar o isopor e ainda mais possibilidades de reuso e ressignificação.

Quanto do isopor é reciclável?

Em tese, praticamente todo isopor pode ser reciclado. Conseguir atingir essa meta, contudo, é uma missão quase impossível. Há determinados países que aceitam o isopor como produtor reciclável nos seus sistemas de coleta, embora de forma seletiva e criteriosa.

A reutilização, dentro do conceito da economia circular, contudo, tem sido bastante eficaz para lidar com esse tipo de resíduo. Ainda assim, há enormes desafios no que se refere à coleta, gestão e destinação do isopor.

O processo de reciclagem é possível através da moagem e “emulsificação” do isopor processado. O resultado é uma espécie de pasta, que pode ser empregada para moldar peças com novos formatos (vídeo). Contudo, para a maioria das aplicações, é preciso lidar com aditivos.

Em resumo: o isopor é totalmente reciclável. Contudo, as particularidades da sua composição, a dificuldade do processo e a limitação na reutilização torna o procedimento inviável na maioria dos casos. Financeiramente, é perder dinheiro.

Desafio na logística reversa

A logística reversa do isopor é complexa por uma série de motivos. Como o material é “expandido”, como diz o nome técnico, o isopor é muito leve em relação ao seu volume. Isso significa que um caminhão cheio de isopor é um verdadeiro desperdício. A densidade do isopor em geral é de cerca de 50 kg/m³– isso significa que caminhões com capacidade imensa de carga, em peso, estariam transportando “quase nada”, apesar de cheios.

Tipo de caminhão

Carga máx. (em kg)

Carga máx. (em m³)

Cheio de isopor (em kg)

Toco Aberto

6000

25,2

1260

Toco Baú

5000

36,4

1820

Trucado Aberto

12000

28,1

1405

Trucado Baú

8000

46,8

2340

Em alguns casos, conforme mostra a tabela, estaríamos usando apenas 15% ou 20% da capacidade de carga total do caminhão, em peso. E a isso somam-se dois outros problemas: devido à natureza leve do isopor, o transporte em caçambas e carrocerias abertas é virtualmente impossível – as peças podem voar. Além disso, especialmente no caso das peças a reciclar, não há uma homogeneidade – elas são irregulares. Isso torna o desperdício de espaço no transporte ainda maior.

Existem soluções?

Sim. Em geral, elas passam mais pela ressignificação e pela reutilização do que pela reciclagem. Muitas construtoras ao redor do mundo têm utilizado, por exemplo, isopor moído em argamassas e concreto, para mistura.

O peso da massa de concreto, em geral, é reduzido, mas o principal atrativo está nas propriedades únicas do isopor em termos de isolamento térmico. Há muitas lajes e coberturas hoje em dia utilizando isopor – sistemas inteiros desenvolvidos para facilitar a montagem, a colocação e criarem mais eficiência no isolamento térmico de construções.

Essas peças de isopor podem ser adquiridas novas ou, como vem se tornando uma prática, é possível um “meio termo”. Na hora de criar as argamassas e massas para as lajes, alguns construtores adicionam isopor moído à mistura. Isso cria melhor isolamento térmico e também reduz o peso médio das placas e lajes, facilitando a colocação e exigindo menos reforço nas estruturas.