3 milhões de toneladas de papelão são produzidas anualmente

O mercado de papelão é um dos pioneiros na implementação de uma cadeia de logística reversa e um dos mais importantes segmentos do setor de embalagens.

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O papelão – ou papelão ondulado, de forma mais técnica – é o material mais utilizado em caixas em geral, especialmente para o transporte de produtos no atacado ou em vendas industriais. O papelão ainda é o material escolhido para a maioria das embalagens de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e materiais de acabamento e decoração.

O volume de papelão anualmente produzido e injetado no mercado brasileiro é imenso. Segundo dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), o volume já ultrapassa as 3 milhões de toneladas anuais. Se considerarmos o peso relativamente leve desse material, chegamos a um volume incomensurável de caixas, chapas, tubos e outros produtos em papelão.

O papelão, contudo, possui uma cadeia bem desenvolvida de reciclagem e logística reversa, que operava de forma movimentada mesmo antes da chegada da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010.

O setor de logística reversa do papelão possui uma cadeia que opera com os fabricantes, as cartonagens (que adquirem chapas e folhas para montar as caixas), distribuidores e centros de serviços. Porém, o outro lado da cadeia envolve uma imensidão de coletores, sucateiros, cooperativas e aparistas de papel.

Os tipos de papelão

Para nós consumidores, parece tudo igual, mas há uma classificação e tipificação do papelão e caixas conforme os critérios da NBR 5985, usada pela ABPO e por fabricantes:

  • Face simples: estrutura formada por um elemento ondulado (miolo) colado a um elemento plano (capa).
  • Parede simples: estrutura formada por um elemento ondulado (miolo) colado, em ambos os lados, a elementos planos (capas).
  • Parede dupla: estrutura formada por três elementos planos (capas) colados a dois elementos ondulados (miolos) intercaladamente.
  • Parede tripla: estrutura formada por quatro elementos planos (capas) colados em três elementos ondulados (miolos) intercaladamente.
  • Parede múltipla: estrutura formada por cinco ou mais elementos 9 planos (capas) colados a quatro ou mais elementos ondulados (miolos) intercaladamente.

Além disso, as ondulações, número de ondas, larguras e espessura dessas ondas são padronizadas e variam de acordo com o produto que se deseja proteger. Os forros geralmente possuem coloração marrom, porém existem mosqueados em branco na parte externa ou totalmente brancos (pintados ou então com uma camada de celulose mais clara), podendo também ter 100% de fibras recicladas em sua constituição.

Contaminantes - o problema na reciclagem e destinação

Em tese, poderíamos reciclar praticamente 100% do papelão. Contudo, a depender da aplicação, caixas e lâminas de papelão podem ter de ser inutilizadas, seguindo inclusive normas e leis internacionais.

Apesar do incentivo às maiores taxas de reciclagem do papel, a legislação brasileira e a internacional são rigorosas quanto à utilização de papelões reciclados que contenham contaminações (o que é comum pela forma como o papel é descartado, coletado e manuseado) para embalagem e transporte de alguns tipos de alimentos. Há, por essa razão, casos onde a exigência do mercado é pelas fibras virgens, mais limpas e menos contaminadas pelo uso e manuseio. O transporte de alimentos, produtos hortifruti, bebidas e outros produtos possivelmente contaminantes, como químicos, medicamentos, tintas e pigmentos e outros, tornam a destinação das caixas muitas vezes mais complicada do que deveria ser.

  1. Após a coleta e a recepção, seja por parte de sucateiros ou nas próprias cooperativas, o papelão precisa ser classificado e separado. Os volumes são então prensados em fardos, para facilitar a armazenagem e o transporte.
  2. Os fardos são transportados para os fabricantes que possuem estrutura para reprocessar o papelão. Em termos práticos, o papelão precisa ser transformado novamente numa polpa – e para isso ele é processado em uma espécie de moagem, junto com água.
  3. Contaminantes e impurezas são removidos da polpa recém-formada, para torná-la homogênea e reutilizável.
  4. A polpa homogeneizada é então seca e laminada, removendo a água e formando uma espécie de tapete contínuo, que então é passado por uma série de rolos a quente, para evaporar a umidade restante.
  5. Após retomar o aspecto de folhas e lâminas, o material é relaminado e bobinado. As bobinas são então fornecidas a cartonagens, que irão utilizar o papelão para produzir novas caixas, embalagens, chapas e afins.

Curiosidades

jOGO DE ESTRATÉGIA DE 1817 FOI O PRIMEIRO PRODUTO A UTILIZAR CAIXAS DE PAPELÃO.

DIVERSÃO. A primeira caixa em papelão, produzida comercialmente, foi usada em 1817 na Alemanha. O produto que utilizou uma caixa de papelão pela primeira vez foi o jogo de tabuleiro “The Game of Besieging” – muito popular na época.

NABISCO, UM DOS PRIMEIROS GRANDES CLIENTES DE CAIXAS DE PAPELÃO.

ERRO VITAL. Em 1879, o escocês Robert Gair, dono de uma produtora de caixas em Nova Iorque, viu numa falha das máquinas que faziam vincos nas caixas um modo de produzir caixas de papelão em massa. Em 1896 o empresário contava com clientes como Colgate em Nabisco, e encomendas que excediam os 2 milhões de caixas.