Descarte incorreto de eletrônicos desperdiça ouro e outros metais preciosos

Equipamentos eletrônicos são cada vez mais numerosos e, por conta de tendências, substituídos de forma cada vez mais veloz. O que fazer com aqueles que descartamos?

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Durante décadas o descarte de aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e eletroportáteis não foi um problema para a sociedade. Os saudosistas irão argumentar que esses equipamentos, 40 anos atrás, “duravam uma vida”. Na verdade, o que mudou em relação aos eletrônicos foi o nosso comportamento.

De bens “duráveis”, a maioria dos eletrônicos se tornaram bens de consumo. Novas versões e modelos surgem todos os dias e, com eles, a nossa vontade de se manter na “tendência”. Como resultado, milhões de computadores, celulares, TVs, aparelhos de áudio e vídeo e eletrodomésticos são jogados no lixo todos os anos.

Reciclar boa parte desse volume de produtos é possível, mas ao contrário de embalagens ou de produtos produzidos em um único material, os eletrônicos empregam vários componentes totalmente distintos. Plásticos, metais, borracha, papéis e papelões, vidros, até mesmo madeira em alguns casos ou substâncias e elementos bastante raros.

Para reciclar esses produtos, é necessário realizar um processo cuidadoso de triagem, separação e às vezes desmantelação, antes que as partes possam ser reutilizadas ou destinadas corretamente.

Heterogêneo, mas previsível

A maioria dos produtos eletrônicos com maior índice de reaproveitamento, como computadores ou TVs, possui uma composição que geralmente emprega três matérias-primas básicas, em proporções quase equivalentes: o vidro, os plásticos e os metais. Dentre os metais, encontramos uma variedade deles em cada aparelho – alguns de alto valor, mesmo no mercado de sucatas:

  • Ferro (≃ 52%)
  • Cobre (≃ 18%)
  • Alumínio (≃ 12%)
  • Zinco e Chumbo (≃ 6%)
  • Outros - tungstênio, titânio, estanho, prata, níquel, etc (≃ 12%)

Assim sendo, após a coleta ou recolhimento, aparelhos são geralmente levados a centros de triagem. Vidros, plásticos e metais são segregados e, no caso dos metais, o processo ainda pode envolver a separação magnética, para separar cada metal e otimizar a destinação de cada um deles.

Tratamento diferenciado para classes de equipamentos

Os equipamentos eletrônicos são uma categoria de resíduo – mas nem todos eles podem ser tratados da mesma forma. Alguns aparelhos e equipamentos têm de ser, inclusive, removidos de um grupo encaminhado para desmontagem ou reciclagem, enquanto outros precisam ser segregados e tratados individualmente.

Há muitas técnicas para desmantelamento e reaproveitamento dos materiais contidos em eletrônicos, mas de um modo geral, há 5 grandes grupos de tratamento quando se falar na possível reciclagem dos componentes, para eletrônicos e eletrodomésticos:

  1. Geladeiras, freezers e similares
  2. Eletrodomésticos de grande porte e linha branca, exceto geladeiras
  3. Eletroportáteis e pequenos aparelhos elétricos
  4. TVs, monitores e telas em geral
  5. Computadores e celulares

 

Geladeiras e freezers, por exemplo, têm de ser separadas. Embora a reciclagem e destinação das chapas de aço, peças plásticas e outros seja similar ao dos demais aparelhos da linha branca, os gases refrigerantes precisam antes de tudo ser removidos manualmente.

Os gases presentes em geladeiras e freezers são extremamente danosos e causadores do efeito estufa. Por essa razão, sua remoção é necessária e um longo processo de queima desses gases precisa ser conduzido.

Computadores e celulares - várias possibilidades

Computadores e aparelhos portáteis de alta tecnologia, como celulares e tablets, possuem componentes valiosos na logística reversa. Contudo, esse segmento oferece ainda outra possibilidade – a reforma e reinserção.

Em países como Estados Unidos e Inglaterra existem lojas inteiras especializadas na reforma e recuperação de computadores e celulares, que posteriormente são revendidos e reintroduzidos no mercado. Além da lucratividade dessa atividade, vale dizer que o aproveitamento nesses casos é próximo de 100%, e não apenas garante que o equipamento exercerá mais alguns anos de vida útil – também impede o cliente de adquirir um novo modelo.

Curiosidades

ALPES. A primeira operação bem-sucedida de reciclagem de eletrônicos foi instaurada apenas em 1991, na Suíça, pela empresa SWICO – que opera até hoje nesse mesmo mercado.

OURO. A grande maioria dos aparelhos eletrônicos de alta tecnologia possuem ao menos alguns conectores e cabos de ligação entre placas e sockets que contêm ouro. Na verdade, o ouro é um material bem comum na produção de peças de alta tecnologia e, ainda que em peço quase irrisório, é encontrado em computadores, celulares e mesmo alguns aparelhos de mais baixa tecnologia.